O Dia Internacional do Livro Infantil foi criado em homenagem a Hans Christian Andersen. O autor dinamarquês, que já teria mais de 200 anos se estivesse vivo, marcou a história da literatura infantil com seus famosos e belos contos de fada como “O Patino Feio”, “O Soldadinho de Chumbo”, “A Roupa Nova do Rei” e “A Polegarzinha”.
Eu faria resenha destes e outros contos com muito prazer, mas acho que o público do Nação da Música não é tão… jovem assim. Então, para aproveitar a data e não perder o gancho, falarei sobre outro livro infantil (assim rotulado, apesar de eu não concordar muito com isso. O porquê pode ser lido abaixo). O escolhido foi Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, história da qual eu particularmente não gosto muito, mas admiro pela importância literária.
Ao seguir um coelho apressado, Alice cai num buraco que, mais tarde, ela descobre ser uma passagem para o País das Maravilhas. Tudo fica esquisito desde então: Alice conhece um gato muito diferente, uma lagarta sábia, um chapeleiro maluco, entre outros personagens que a introduzem em uma realidade complexa e enigmática. De Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas é um livro repleto de fantasias oníricas e lúdicas, que provocam o leitor e ocultam questionamentos de todo tipo: lógicos, semânticos, políticos e psicológicos. Não é apenas uma leitura para crianças, mas uma viagem ao mundo do subconsciente que pode ser travada também por adultos que não temam adentrar as veredas nebulosas da mente.
Alice no País das Maravilhas é um livro nonsense que passa longe da realidade que conhecemos. Não sei se foi a minha mente adulta falando alto, mas ler sobre a dança Quadrilha da Lagosta, por exemplo, que é algo extremamente irreal, me incomodou um pouco. Ainda assim, a criatividade de Lewis Carroll é admirável, e ela só fica mais presente conforme vamos virando as páginas.
A trama todo mundo conhece: Alice é uma garotinha curiosa, sabida e um pouco mal-educada que fica intrigada ao avistar um coelho branco tirar um relógio do bolso do colete e praguejar por estar atrasado. Disparando atrás dele, Alice entra em sua toca e, de repente, começa a cair por muitos quilômetros até chegar ao lugar famoso que tanto conhecemos: o País das Maravilhas.
O que se segue é uma grande jornada de descobertas por um lugar bastante diferente. Lá, animais falam, flores cantam, e, para ela, uma garotinha cheia de imaginação, tudo é extremamente normal. Para quem lê, isso pode soar um pouco estranho, mas é assim mesmo. Afinal, Alice no País das Maravilhas nunca prometeu ser um livro são. A história é realmente sem pé nem cabeça, o concreto se torna abstrato e interpretações políticas e sociais podem ser feitas.

O gato Cheshire, um dos meus personagens preferidos da obra. A ilustração é a original, feita por John Tenniel.
O que se entende é um universo onde personalidades, identidades, tamanhos e, claro, o tempo, são completamente fáceis de serem mudados. Cada coisa tem seu ritmo e tudo se mistura e personifica: animais tocam instrumentos musicais, opinam e se comportam como gente. O livro traz questões como “quem sou eu?” e “por que sou deste jeito?”, e, se você for analisar o livro a fundo e viajar um pouco na maionese, pode até mesmo refletir sobre as mudanças que envolvem a transição criança-adolescente.
E depois dizem que este é um livro infantil.
Eu vejo deste modo: Alice no País das Maravilhas é um livro feito para todas as idades. Uma criança não vai enxergar todo o significado oculto na história. Para ela, a leitura não passa de diversão. Um adulto, por outro lado, inevitavelmente acaba fazendo ligações e conclusões a respeito da história – mas se elas têm fundamento, só Lewis Carroll saberia dizer.
Como eu disse acima, este não é um dos meus livros preferidos. Histórias mais lineares me atraem, e Alice, como já deu para perceber, passa muito longe disso. Mas a importância deste livro não pode ser ignorada, né? Vale lembrar que ele tem uma espécie de continuação chamada Alice Através do Espelho e o que Encontrou Por Lá.
A história já foi adaptada diversas vezes para o cinema. A mais recente foi feita em 2010, dirigida por Tim Burton e estrelada Johnny Depp. Mas já adianto que o filme não tem muito a ver com o livro. Veja o trailer:
Desculpem pelo post longo, mas acabei me empolgando. Alguém aí já leu o livro e tem a mesma opinião que eu? Comentem, comentem! :)
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